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sábado, 29 de setembro de 2012

Análise do documentário De La Servidumbre Moderna

O filme De La Servidumbre Moderna (Da Servidão Moderna) nos faz concordar que, à princípio, a servidão moderna é uma servidão voluntária e consensual, pois os homens se conformam com a sua posição mediante a ditadura mercantilista em que, oferecendo o seu trabalho por meio da produção, compram e consumem e assim se escravizam mais.

O documentário nos permite perceber como o ser humano se deixa alienar, perdendo a sua identidade e autonomia. Desse modo, assiste a tudo passivamente na condição de subserviente, sem consciência de sua exploração e alienação.

Vendo por esse prisma, pode-se afirmar que o homem está sob o controle das esferas de produção, de modo que os diversos segmentos sociais e as diversas instituições mantém o sistema sob o controle dos poderes dominantes. 

Vemos desde cedo as crianças serem, conscientemente ou não, instruídas a consumir e a satisfazer-se através de ganhos e recompensas. Então passam a fazer parte da sociedade do consumo, tendo em vista que assim o homem é e se realiza.

A crise na saúde, educação e segurança, por exemplo, é reflexo do sistema capitalista e pautado no consumo, tornando-se um problema social agravante e decadente. Então, essas instituições perde em parte a sua função por não atender as necessidades da sociedade. No contexto educacional, fatores como o consumismo desenfreado, o “ter”e não o “ser” vão ocupando espaços cada vez maiores, de modo que o conhecimento parece ser dispensável e não tão necessário.

E qual o papel da educação diante desse quadro? O primeiro passo para que tenhamos cidadãos mais cientes e resistentes a servidão moderna está na formação de profissionais da área. Através de educadores capacitados, a educação tem condições de adquirir novos significados no desenvolvimento de uma sociedade menos alienada e mais informada.

A escola é e sempre será um caminho para a busca de soluções. Esse canteiro de conhecimento pode, ainda que tímida e gradativamente, traçar novos caminhos para um mundo melhor, capaz de construir alternativas de vida que visam liberdade do homem, menos dependente e conscientemente mais crítico.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Mundo virtual - Para refletir


Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga,uma  salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime  é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha  atrás de mim:

-Tio, dá um trocado?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?

Percebo que o menino tinha  ficado ali.

- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu  constrangimento..

Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero  que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.

- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.

Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

- Tio, o que está fazendo?

- Estou lendo uns e-mails.

- O que são e-mails?

- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.

Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Tio, você tem Internet?

- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

- O que é Internet, tio?

- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma  explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e  vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.

Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse..

- Legal isso. Gostei!

- Mocinho, você entendeu o que é virtual?

- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?

- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo.

Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.

Esperei que o menino terminasse de literalmente  'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na  vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não  percebemos!
-Autor desconhecido