terça-feira, 27 de outubro de 2009

Para que serve o léxico / Dissecando a palavra: resumo


INTRODUÇÃO

O presente trabalho aborda nos textos Para que serve o léxico e Dissecando a palavra, de Margarida Basílio, a questão do conceito de palavra e sua identificação na estrutura da Língua Portuguesa, considerando a constituição do léxico na formação das palavras e construção da língua.


LÉXICO E LÍNGUA

Segundo Basílio, o papel do léxico está diretamente ligado à língua. Então, podemos afirmar que o léxico está em constante expansão na medida em que nossas necessidades de representação conceitual e de construção dos enunciados estão em mudança.

Constituição e expansão do léxico

Basílio afirma que o léxico é um sistema dinâmico, permite a formação de novas unidades por parte dos falantes a partir da (re) produção e (re) conhecimento de novos seres, objetos e relações.

Léxico externo e léxico mental

É léxico externo quando dizemos que o léxico é o conjunto de palavras de uma língua. Já o léxico mental ou interno corresponde não apenas às palavras conhecidas pelo falante, mas também aos padrões gerais de sua estruturação.

Processos de formação de palavras

Nesse processo, a autora diz que não se pode resumir a expansão do léxico ao aumento de número de símbolos que os falantes teriam que decorar, haja vista que tornaria o sistema pouco eficiente e impediria a comunicação automática.

O léxico é “ecologicamente correto”.

Como podemos perceber nesse trecho, a principal do léxico é fornecer ferramentas que atenda a nossa necessidade de comunicação. Ao criar novas expressões, novas derivações, esses fenômenos aproveitam o material previamente já disponibilizado pelo léxico do português. Por isso Basílio afirma: “O léxico é ecologicamente correto: temos um banco de dados em permanente expansão, mas utilizando, sobretudo material já disponível, o que reduz a dependência de memória e garante comunicação automática”

Léxico virtual e léxico real.

Nesse texto, Basílio chama a atenção para o potencial de atuação dos processos de formação de palavras, pois esse processo não é igual a formação concreta de novos itens. A autora faz distinção entre o léxico virtual ou mental (conjunto de padrões que determinam construções lexicais possíveis e sua interpretação) e o léxico real (conjunto de palavras da língua)

DISSECANDO A PALAVRA

Segundo Basílio, há vários ângulos que podem enfocar o conceito de palavra. É nessa perspectiva que ela aponta os elementos a seguir.

A palavra gráfica

Através da frase “João viajou ontem”, a autora define palavra como sequência de caracteres que aparecem entre espaços e/ ou pontuação que corresponde a uma sequência de sons que formam uma palavra na língua.

Palavra e dicionário

Nesse texto, a autora esclarece que, embora as palavras da língua sejam aquelas que aparecem nos dicionários, nem sempre essas palavras serão exatamente aquelas que os falantes irão se apropriar. Algumas que estão nos dicionários podem estar defasadas em relação às palavras da língua e outras recentes só são registradas muito tempo depois que as palavras são empregadas. E isto leva a mais uma pergunta: o que os autores dos dicionários consideram como palavra?

A palavra estrutural

Aqui, a autora define morfologia como a parte da gramática que estuda a forma da palavra, que é uma construção que se estrutura de maneira específica.

A palavra e suas flexões

Uma mesma palavra pode apresentar, por causa de sua flexão, diferentes formas em sua estrutura. Como exemplo, Basílio usa o verbo pegar: pegou – pego – pegariam – pegará. Nesse caso, o verbo é uma palavra ou unidade estrutural que se constitui de diferentes formas da conjugação, ou seja, possui flexões.

Palavra, vocábulo e lexema

Segundo a autora, uma forma de enfocar a questão da variação da palavra é pensar na palavra como unidade lexical e como unidade formal. Então, o verbo pegar seria uma unidade lexical por tratar-se de um lexema; as diferentes formas de pegar seriam vocábulos, ou seja, variações de forma da palavra. Basílio lembra que os vocábulos gramaticais como preposições, conjunções e verbos auxiliares não são considerados como lexema, pois não apresentam significado lexical.

Palavra, homonímia e polissemia

Embora as palavras sejam normalmente definidas como uma unidade de significação, são comuns as palavras que tem mais de um significado. Há casos em que as palavras tem significados relacionados e a esse fenômeno denominamos de polissemia. Quando os significados não são relacionados, ainda que tenha a mesma forma fonológica, ocorre a homonímia. Temos como homonímia o clássico exemplo da palavra manga (fruta ou parte do vestuário) e em polissemia, a autora faz referência à palavra modelo (coisa ou pessoa em cuja reprodução estética o artista trabalha / coisa ou pessoa que serve de imagem, forma ou padrão a ser imitado). A autora ressalta que existe um problema permanente em relação ao conceito de palavra, haja vista a dificuldades de decisões definitivas nessa área.

Palavra fonológica

Aqui, a palavra é entendida como uma unidade fonológica, seja como uma sequência fônica que ocorre entre causas potenciais ou como padrão acentual baseado em tonicidade e duração.

Clíticos

Segundo a autora, os clíticos são elementos que compartilham certas palavras de propriedade independentes, agregando-a fonologicamente, mas sem fazer parte dela do ponto de vista morfológico. São considerados clíticos os artigos, assim como vários pronomes pessoais. Os clíticos, por fazer parte apenas do vocábulo fonológico, dificultam de algum modo a identificação da palavra, tendo em vista que os elementos que forma uma palavra são rigidamente ligados aos outros sem admitir mudança de posição ou interferência de outro elemento. Os clíticos mudam de posição (viu-me / me viu) e até admitem elementos interferentes (Chegou o livro. / Chegou o fantástico livro.).

Locuções

Segundo Basílio, temos um descompasso entre o aspecto morfológico e o aspecto gráfico das locuções prepositivas, pois além de dificultar a identificação da palavra, apresentam unidade de significado e uso e também são morfologicamente unificadas, mesmo sendo consideradas clíticos do ponto de vista fonológico.

A palavra como forma livre mínima

A autora faz referência ao lingüista Bloomfield, que defina a palavra como forma livre mínima. Nesse texto, entende-se forma livre como aquela que constitui por si só um enunciado. Portanto, a palavra é uma forma livre mínima, que não possa ser subdividida em formas livres. Essa afirmação logo é questionada em relação as palavras compostas que, por serem formadas por duas ou mais palavras ou radicais, como sustentar que palavras não podem ser subdividas em formas livres.

Formas dependentes

Basílio afirma que Mattoso Câmara modificou a definição de Bloomfield, acrescentando a noção de forma dependente, que são aquelas formas que dependem da outra para ocorrer, mas não estão concretamente ligadas à forma da qual depende. Artigos, preposições, pronomes clíticos, conjunções, nesse caso, seriam formas dependentes.

Problemas remanescentes

A autora faz uma reflexão sobre os problemas existentes na conceituação da palavra e questiona se o maior problema, de fato, não seja o nosso enfoque do que seria uma palavra. Segundo Basílio, embora o léxico envolva elementos que apresentam diversas facetas, como a fonológica, gráfica, morfológica, sintática, semântica, pragmáticas, essas facetas nem sempre são inteiramente recobertas uma pelas outras. “Mas nós sempre ansiamos por categorias com domínios precisos e não superpostos”, afirma a autora, que fala sobre a importância de conviver com a diversidade e com a complexidade


Bibliografia:

Basílio, Margarida. Formação e classes de palavras no português do Brasil – São Paulo: Contexto, 2004.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ilusão de ótica, figuras que se movimentam

Você já deve ter visto figuras que causam ilusão de ótica, não? Algumas são tão interessantes que nos deixam tontos, confundem nossos olhos com a habilidade de um mágico conceituado... Então, para que você se divirtam um pouco, selecionei algumas figuras superinteressantes. Boa diversão!

















domingo, 11 de outubro de 2009

Trovadorismo - Cantigas de Escárnio

As cantigas trovadorescas surgiram na Idade Média entre os séculos XII e XIII, como as primeiras manifestações literárias portuguesas. Essas cantigas tinham entre seus objetivos examinar as tensões políticas e sociais das sociedades medievais através da prática e poesia dos trovadores galego-portugueses. A partir daí, foram desenvolvidos gêneros que traduzissem as mais diversas formas de expressões da sociedade da época, desde o alto clero até o camponês, enlaçando-os a diferentes categorias sociais como produtores do discurso. Essas cantigas eram classificadas em Cantigas de amigo, Cantigas de amor, Cantigas de escárnio e Cantigas de Maldizer.

A cantiga de Escárnio, que será analisada neste trabalho, é um gênero da poesia da Idade Média cuja função é criticar, satirizar uma pessoa real, próxima ou do mesmo círculo social do trovador. Utiliza sátiras indiretas para atingir a pessoa satirizada. Faz-se o uso de ironias e expressões de duplo sentido, e o objeto de escárnio nunca é identificado.

Deste modo, o presente trabalho visa ressaltar a importância das cantigas de escárnio como um produto linguístico que também marcou a fase inicial documentada do português, além representar os costumes e vícios inseridos na sociedade medieval pelas grandes questões da época.

As cantigas de Escárnio, assim como os outros tipos de cantigas, foram escritas em galego-português no período chamado Trovadorismo (séculos XII e XIII) da Idade Média.

As cantigas de Escárnio tem como principal característica a crítica indireta, ou seja, normalmente a pessoa satirizada não é identificada. Há uma preocupação com a linguagem, pois é cheia de sutilezas, trocadilhos e ambigüidades, dotados de ironia. Apresenta grande interesse histórico, pois são verdadeiros relatos dos costumes e vícios, principalmente da corte, mas também dos próprios jograis e menestréis. Nas cantigas de escárnio, o poeta exprime, ironicamente, o satirizado, abstendo-se de citá-lo diretamente. Tendo como objetivo a crítica social, com tom humorístico, ridiculariza as pessoas de forma sutil ou grosseira, denunciando os falsos valores morais vigentes e atingindo todas as classes sociais: senhores feudais, clérigos, povo e até eles próprios.

Principais características das cantigas de escárnio:

--> Cantigas satíricas escritas em linguagem bem mais vulgar;

--> Sempre zombavam de alguém, seja uma pessoa decadente, seja alguém que passou por um problema amoroso, seja uma mulher namoradeira;

--> Linguagem mais velada, menos direta, não individualizada a pessoa criticada;

--> Discurso produzido com sujeito em 1ª ou 3ª pessoa (não identificada);

--> Possui artifícios lingüísticos e literários como a ironia e a hipérbole;

--> Apresenta-se como uma sátira indireta, sarcástica, zombeteira e de linguagem ambígua.

Como toda cantiga de escárnio, há nos textos uma relação entre poesia e poder, onde desenvolve-se, de certa forma, uma guerra de representações, utilizando-se das produções como como espaço para esse tipo de embate. Segundo fontes da internet, o gênero satírico iniciou-se com a participação ativa de mestres e estudantes, que debatiam diante de grande platéia, sobre questões previamente estabelecidas, surgindo assim o chamado gênero trovadoresco das “tenções”, cuja forma básica era constituída de uma alternância de estrofes entre os dois trovadores que participavam do confronto lírico.

Através das tenções, os trovadores galego-portugueses podiam se enfrentar diretamente. Mas podiam também atingir um terceiro, não presente na disputa, que fosse referido direta ou indiretamente. Por exemplo, a pretexto de criticar o oponente, podia-se na verdade encaminhar uma crítica a um outro, o que caracterizava uma verdadeira “tenção de ricochete”. Além disso, existia ainda aquilo que poderíamos chamar “tenções simuladas” em que dois trovadores podiam “tençoar”, mas na verdade a pretexto de falar mal de um terceiro, ou de um tipo social. As tenções completam com as cantigas de escárnio e maldizer a principal tríade de gêneros satíricos explorados pelo trovadorismo ibérico entre os séculos XVIII e XV.

Era comum nestas arenas trovadorescas ibéricas, as cantigas de escárnio e de mal dizer que podiam ter como alvo até mesmo o rei, o que demonstra a relativa liberalidade dos paços trovadorescos. Este é o caso da cantiga abaixo, movida pelo fidalgo Gil Peres Conde contra o rei Afonso X de Castela, que também era, aliás, um dos mais hábeis trovadores:


“Os vossos meus maravedis, senhor,

que eu non ôuvi, que servi melhor

ou tan ben come outr'a que os dan,

ei-os d'aver enquant'eu vivo for,

ou a mia mort', ou quando mi os daran?

A vossa mia soldada, senhor Rei,

que eu servi e serv'e servirei,

com'outro quen quer a que dan ben,

ei-a d'aver enquant' a viver ei,

ou a mia mort', ou que mi faran en?

Os vossos meus dinheiros, senhor, non

pud'eu aver, pero servidos son,

Come outros, que os an de servir,

ei-os d'aver mentr'eu viver, ou pon-

mi-os a mia mort' o a que os vou pedir?

Ca passou temp' e trastempados son,

ouve an'e dia e quero-m' en partir.”

(Gil Pérez Conde, CBN 1523)


Características da cantiga de escárnio nesta poesia:

--> Sátira em relação ao serviços prestados e não pagos pelo rei;

--> Jogo com o uso duplo dos pronomes possessivos “vossos” e “meus”;

--> Confronto de idéias através da expressão;

--> Ambiguidade acompanhada de entonação irônica;

--> Invocação indireta ao conjunto de instituições do vassalo;

--> Embate de caráter político entre a parte nobre do reino e o serviçal.


Fonte de pesquisa:

http://www.repom.ufsc.br

http://www.wikipedia.com

http://www.uel.br/cch/pos/letras/terraroxa

http://www.docs.google.com

História da Literatura Portuguesa (?)


domingo, 5 de julho de 2009

Metaplasmos do Hino Nacional: português-latim

Foi um dos trabalhos mais difíceis que já fiz no curso de letras. Não porque a atividade era complexa, mas porque não entendia o latim o suficiente para analisar metaplasmos. Daí o professor de Filologia resolve nos ferrar com um trabalho bem simples: Estudar os metaplamos do Hino Nacional, é mole??

Deu tanto trabalho que resolvi postar o resultado aqui, já que pesquisei, pesquisei e não encontrei nada. Se você usar esta atividade para complemento, sugiro que encontre alguns erros nos metaplasmos estudados, tenho certeza que encontrará vários.

A palavra 'metaplasmo', etimologicamente, significa 'mudança de forma'. A gramática define os metaplasmos como transformações fonéticas que os vocábulos sofrem durante sua evolução histórica. Os vocábulos ao passarem da língua latina para a língua portuguesa sofreram alterações que basicamente se encontram dentro de três leis, denominadas leis fonéticas.

Lei do menor esforço, tendência universal em que o falante simplifica a emissão dos sons, facilitando os órgãos do aparelho fonador.

Lei da permanência da consoante inicial, quando a palavra da língua em uso permanece igual a consoante inicial do vocábulo de origem.

Lei da permanência da sílaba tônica, onde a palavra em uso é igual àquela do vocábulo de origem.

Quando se conhece o momento do contato que permitiu à língua-fonte a entrada no léxico da língua estudada, não se apresentam etimologias anacrônicas ou misteriosas. Entre uma língua-fonte e uma língua estudada há, às vezes, línguas-ponte: assim, palavras finlandesas vieram ao português não de forma direta, mas por meio do inglês ou do francês. Quando se datam as primeiras ocorrências de uma palavra, pode-se finalmente teorizar acerca de qual língua teria originado a palavra em questão. É preciso lembrar que uma palavra pode aparecer escrita somente séculos depois de ser empregada na fala, pois a escrita é bastante conservadora. Isso é um pouco diferente hoje em dia, pois nos jornais há seções que utilizam uma linguagem tremendamente coloquial, refletindo, assim, muitas vezes, a língua tal qual se fala.

Conhecendo bem os metaplasmos, não se reconstruirão formas absurdas, nem se derivarão palavras a partir de outras sem muito rigor.Os casos de irregularidade devem ser minuciosamente estudados, quer por causa da origem culta de alguns vocábulos, quer por causa da ação analógica de outros. É preciso criar hipóteses sobre como essa irregularidade ocorreu e, se possível, explicar não só esta palavra, mas outras de comportamento parecido.

O objetivo deste trabalho é estudar as modificações composições e regras fonéticas que ocorrem em determinados vocábulos ao longo da evolução histórica de uma língua, explicando assim o significado das palavras através da análise dos elementos que as constituem, o que ajuda a compreender a etimologia de muitas palavras.

METAPLASMOS ESTUDADOS
• Audierunt (ouviram): assimilação parcial (au-ou) > assibilação (d-v) > apócope (unt-um) > ditongação (un –am)
• Ypirangae (Ipiranga): apócope (ae-a) > vocalização (y-i)
• Ripae (rio): síncope > apócope
• Placidae(plácido): apócope (ae-a)
• Heroicae (heróico): apócope (ae-a)
• Gentis (gente): vocalização (is-ie) > monotongação (ie –e)
• Validum (válido): apócope (um-u) > assimilação parcial (u-o)
• Clamorem (clamor): assimilação parcial (o-a) > apócope (em-e) > apócope (e - )
• Solisque (sol): síncope (is) > apócope (que)
• Libertatis (liberdade): sonorização (t-d) > vocaliação (is-ie) > monotongação (ie – e)
• Flammae (chama): apócope (ae-a) > palatização (fla-cha)
• Fulgidae (fulgida): apócope (ae-e)
• Sparsere (espalhar): prótese (es-s) > epêntese (lh) > apócope (re – r)
• Patrie (pátria): apócope (ae-e)
• In (em): assimilação parcial (in-em)
• Caelos (céu): apócope (los –lu) > assimilação parcial (lo-lu)> síncope (caelu-caeu) > síncope (caeu-ceu)
• Tum (teu): epêntese (tuum) > assimilação parcial (teum) > aopócope (teu)
• Fulgorem (fulgor): apócope (fulgor)
• Pignus (penhor): síncope (pinus)> assimilação parcial (penus) > apócope (pen) > palatização (nh) > paragoge (penhor)
• Vero (verdade): apócope (ver) > paragoge (verdade)
• Aequalitatis (igualdade): aférese (ae-e) > assimilação parcial (equa-igua) > síncope (qualit-guald) > sonorização (tat-dad) > assimilação parcial (tis-des) > apócope (des-de)
• Possidere (possuir): assimilação parcial (Possi-possu) > síncope (possudere-possuere) > assimilação parcial (possuere-possuire) > apócope (ire-ir
• Si (se): assimilação parcial (si-se)
• Brachio (braço): assimilação total (ch-ç) > síncope (ium-um) > desnalização (um-o)
• Forti (forte): assimilação parcial (i-e)
• Almo (alma): assimilação parcial (o-a)
• Em (o): assimilação parcial (on) > síncope (o)
• Audens (audaz): síncope (auden) > epêntese (audaen) > apócope + paragoge(audaz) >
• Offert (oferta): síncope (ofert) > paragoge (oferta)
• Ipsi (esse): assimilação total (ips-iss) > assimilação parcial (issi-esse)
• Pectus (peito): vocalização (pec-pei) > assimilação parcial (tus-tos) > apócope (to)
• Mortil (morte): apócope (til-ti) > assimilação parcial (ti-te)
• Brasilia (Brasil): síncope (brasila) > apócope (Brasil)
• Somnium:palatização (somni – sonhi) > síncope (sonhum) > desnasalização (sonho)
• Tensum (intenso): prótese (intensum) > desnasalização (intenso)
• Flamma (chama): palatização (chama)
• Vivida (vívido): assimilação parcial (a-o)
• Amorem (amor): apócope (amorem – amor)
• Ferens (favorável): epêntese (faervoris) > síncope (favoris)> paragoge (favorável)
• Ad (a): apócope (ad-a)
• Orbis (órbita): apócope (orbi) > paragoge (órbita)
• Claustrum:
• Pulchri (bonito): sonorização(p-b) > justaposição (bunitus) > assimilação parcial + apócope (bonito)
• Caeli (céu): apócope (cael) > vocalização (caeu) > síncope (céu)
• Alacritale (alacridade): síncope (tae) > sonorização (t-d) > epêntese (dade)
• Límpida (límpido): assimilação parcial (a-o)
• Splendescit (resplandece): prótese (res) > apócope ( it – i) > assimilação parcial (resplandece)
• Fulgens (fulgente): apócope (fulgen) > paragoge (fulgente)
• Crucis (cruz): sonorização (c-z) apócope (cruz)
• Plaustrum:
• Ex (e): apócope
• Propria: = própria
• Gigas (gigante): apócope (giga) > paragoge (gigante)
• Positus (posto): síncope (postus) > apócope (postu) > assimilação parcial (posto)
• Natura (natural): paragoge (naturale) > síncope (natural)
• Impavida (impávido): assimilação parcial (a-o)
• Fortisque (forte): apócope (fortis) > apócope (forti) > assimilação parcial (forte)
• Ingensque (ingente= enorme): apócope (ingen) > paragoge (ingente)
• Moles (mole): apócope
• Te (tua) : epêntese (tue) > assimilação parcial (tua)
• Magnam (magno): apócope (magna) > assimilação parcial (magno)
• Praevidebunt (prever): apócope (videbunt - vide) síncope (vide-vie) > apócope (viere – vier) > síncope (prever)
• Jam (já): consonantização (já)
• Futura (futuro): assimilação parcial (a-o)
• Semper (sempre): metástase (sempre)
• Strata ( de esterno – estendido): prótese (esterno) > síncope (esteno) > epêntese (estentito) > abrandamento (estendido)
• Mire ( admiravelmente): prótese (admire) > paragoge (admiravelmente)
• Splendidis (esplêndido): apócope + assimilação parcial (splêndido) > prótese (esplêndido)
• Sonante (sonorus – sonoro): apócope + assimilação parcial (sonoro)
• Mari (mar): apócope
• Caeli (caelum - céu): síncope + apócope (céu)
• Albo (alvo – branco): degeneração (alvo)
• Profundi (profundo): assimilação parcial
• Effulges (fulgir): aférese (fulges) > paragoge (fulgir)
• Flos (flor): assimilação
• Americae (América): apócope
• Sole (sol): apócope
• Irradiata (irradiado): sonorização (t-d) > assimilação parcial (a-o)
• Novi (novo): assimilação parcial
• Mundi (mundo): assimilação parcial
• Orbe (órbita) epêntese + assimilação parcial
• Plagis (espaço): síncope (pla – pa) > prótese (es - ) > assimilação total
• Tui (teu): assimilação parcial
• Rident (ridente):paragoge
• Agri (agreste – campo): paragoge + assimilação parcial
• Florum (flor -flores): apócope / desnasalização
• Tenent (tem – plural): apócope
• Silvae (selva): apócope + assimilação parcial
• Vitam (vida): sonorização
• Magis (mais): síncope
• Tenet (tem): apócope
• Tuo (teu) assimilação parcial:
• Sinu (seio): assimilação total
• Vita (vida): sonorização
• Amores (amor): apócope
• Aeterni (eterno): síncope (ae-a) > assimilação parcial (eterno)
• Amoris (amores - amor): síncope
• Fiat (fazer – faça): assibilação
• Symbolum (símbolo): vocalização (syim – sim) > desnasalização (um – o)
• Quod (que): assimilação parcial + apócope
• Tecum (com (prefixação) -contigo): sonorização + denasalização (cum-go)
• Laborum (lábaro): desnasalização
• Setellatum ( estrelado): prótese (s – es) > epêntese (te – tre) > sonorização (t-d) > desnasalização ( um – o)
• Dicat (dizer – diga): sonorização + apócope
• Aurea (de ouro – ouro): assimilação parcial
• Viridisque (viridis – verde): síncope + assimilação parcial
• Flammula ( de flamma - flâmula): sístole
• Ventura (futuro): desnasalização (ven – fu) > assimilação parcial
• Pax (paz): assimilação parcial
• Decusque (decoris – decoro): assimilação parcial
• Superatum (superado): sonorização (t-d) > assimilação parcial + desnasalização
• Vero (verdade): epêntese
• Tollis (toma): palatização +assimilação parcial
• Themis (justiça – temido) : paragoge
• Clavam (clava): apócope
• Fortem (forte ): apócope
• Non (não): ditongação
• Filios (filhos): palatização
• Tuos (teus): assimilação parcial
• Videbis ( vídeo – ver - verás) apócope (vide) > assimilação parcial (vede) apócope (vê – ver)
• Vacillantes (que vacila, vacilante): síncope + apócope
• Aut (ou): apócope + assimilação parcial
• Amandote: = amando- te
• Timentis (temente): assimilação parcial
• Mortem (morte): apócope

domingo, 7 de junho de 2009

A origem da Língua Portuguesa


Estudar a língua portuguesa e o seu processo histórico é fundamental para a compreensão de sua formação. Sendo assim, estudar o português arcaico é refletir sobre as diferenças entre o passado e o presente, estabelecendo as relações lingüísticas mais justapostas, e não verdades pretendidas sobre esse tempo recuado da língua portuguesa.

A partir dessa aproximação, podemos reunir e interpretar o conhecimento tradicional e recente sobre vários aspectos relativos do português no seu primeiro período documentado, tendo como fundamento as questões gerais relativas à documentação remanescente do período arcaico e às fontes bibliográficas para o seu estudo respectivo à fonética, fonologia, morfossintaxe, sintaxe e léxico do português arcaico.

Em meados dos anos oitenta do século XX, houve um retorno ao interesse pelos estudos histórico-diacrônicos, tanto pela via da Sociolingüística laboviana, com a sua teoria da variação e mudança, como pela via do gerativismo diacrônico, que passou a se interessar pela mudança das línguas, como argumento para a construção de uma “teoria da gramática”, mais recentemente, pela via do funcionalismo, sobretudo no que se refere aos estudos de gramaticalização.

Com esse retorno, novos pesquisadores começaram a se dedicar ao passado da língua portuguesa, tanto no Brasil, como em Portugal, também lusitanistas estrangeiros. Assim sendo, pesquisas novas e renovadas, em termos teórico-metodológicos, sobre o período arcaico do português foram se desenvolvendo, não só no Brasil como em Portugal e em outros lugares, em geral em forma de teses e dissertações, em geral inéditas, além de artigos e comunicações em periódicos e congressos da especialidade. Também, com o Retorno à Filologia (Castro 1995), novas edições de textos medievais ou do período arcaico vêm sendo publicadas e outras re-editadas. E, para a análise lingüística do passado, a base fundamental empírica são os documentos do passado essenciais, em edições confiáveis para estudos lingüísticos, já que, quase sempre, é impossível trabalhar sobre os manuscritos originais.


Pesquisadores, nessa última década, têm desvendado sobre o primeiro período em que a língua portuguesa aparece escrita e que pode se situar dos inícios do século XIII e prolonga-se pelo século XVI, sendo uma data significativa para o início do período moderno, que é o início da gramatização da língua portuguesa.


É importante ressaltar que a formação da língua portuguesa está envolvida de elementos que foram cruciais para esse processo, tais como os fatores políticos, econômicos e religiosos. O português arcaico, dessa forma, foi uma etapa de consolidação da formação da língua que temos nos tempos atuais. E não tem como falar do português arcaico sem falar de outras variações lingüísticas, como o latim vulgar, por exemplo, que como qualquer outra língua, é a expressão da cultura histórica de um povo cuja influência e dominação predominou.


Dentro deste contexto histórico, está a romanização da Península Ibérica, no século III a. C., difundindo então o uso do latim, de certo modo através de uma política de imposição. Com a invasão dos bárbaros germanos, no século V, à Península, a unidade política do império romano foi dissolvida e consequentemente, a dialetação do latim vulgar. Já no século VIII, os árabes também invadiram a Península e portando uma cultura superior, impuseram sua língua oficial, embora os peninsulares continuassem a falar o romance, que é o latim vulgar já modificado. Surgem então os dialetos moçárabes, a partir do contato do árabe com o latim. Com a expulsão definitiva dos árabes por Fernando de Aragão e Isabel de Castela, no século XV, ficaram os resquícios de sua influência no léxico português, caracterizados pelo prefixo AL (álgebra, alface, álcool, etc.).


Após a expulsão dos mouros do território peninsular, um novo reino foi fundado, o reino de Portugal. Nessa região falava-se o dialeto galeziano, ou galego-português, expressão lingüística comum à Galiza e Portugal. Todavia, Portugal foi se distanciando politicamente de Galiza através de seus domínios e diferenciações lingüísticas, e essa evolução continuou até formar a língua portuguesa que conhecemos hoje. Esse período de transição, conhecido como galego-português, é o período do português arcaico que iremos estudar, que compreende entre o século XII até o século XVI. Foi uma língua falada durante a idade média, variação do romance, que é uma variante do latim.


Em 1290, o Rei Dom Dinis (ou Denis) criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, que então era chamado "linguagem" fosse usado em vez do latim em contexto administrativo. Em 1296, o português foi adoptado pela Chancelaria Real. A partir deste momento o português passou a ser usado não só na poesia, mas também na redação das leis e nos notários. Até 1350, a língua galego-portuguesa permaneceu apenas como língua nativa da Galiza e Portugal; mas em meados do século XIV, o português tornou-se uma língua elaborada, dotada de uma tradição literária riquíssima, e também foi adotado por muitos poetas Leoneses, Castelhanos, Aragoneses e Catalães. Durante essa época, a língua na Galiza começou a ser influenciada pelo castelhano (basicamente o espanhol moderno), tendo-se também iniciado a introdução do espanhol como única forma de língua culta. Em Portugal, a fixação da corte em Lisboa, o surgimento da imprensa e a profunda textualização das classes dominantes (aristocracia, clero e burguesia) levaram ao desenvolvimento e elaboração de uma língua padrão a partir dos séculos XV-XVI de características centro-meridionais e à “exportação” de variedades linguísticas despojadas de marcas setentrionais para os novos territórios descobertos e colonizados pelos portugueses.


Com os decobrimentos portugueses, entre os séculos XIV e XVI, a língua portuguesa espalhou-se por muitas regiões da Ásia, África e América, e tornou-se uma “Língua Franca”, utilizadas não só pela administração colonial, mas também para a comunicação entre os oficiais locais e europeus de todas as nacionalidades. A propagação da língua portuguesa foi favorecida por mesclagens entre portugueses e gentes locais e também por missionários católicos, tornando-se então uma língua bastante popular.


Com a Renascença, aumenta o número de palavras eruditas com origem no latim clássico e no grego arcaico, o que aumenta a complexidade do português. O fim do "português arcaico" é marcado com a publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. Mas formas similares ao português arcaico são ainda faladas por muitas populações em São Tomé e Príncipe, no Brasil e Portugal rural.


O primeiro texto inteiramente redigido em português, segundo Dolores Garcia e Manoel Nascimento, é a Cantiga da Ribeirinha, de Paio Saio de Taveirós, em 1189. Considera-se, portanto, como documento oficial da língua portuguesa, um documento oriundo do português arcaico, período que iremos estudar. Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada, de origem malaia, e chá, de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.


Segundo outros estudiosos, o Pacto de Gomes e Ramiro Pais deve ser considerado o texto mais antigo escrito em português; no entanto, é apenas datável por conjectura (provavelmente anterior a 1173) e contém muitas formas gráficas latinas.


Outro importante documento, a Notícia de Torto, não datado, terá sido escrito entre 1211 e 1216: é uma longa narrativa dos agravos que o nobre Lourenço Fernandes da Cunha sofreu às mãos de outros senhores. Permanece o mais antigo documento particular datável conhecido escrito em português.


O Testamento de Dom Afonso II, datado de 1214, é o texto em escrita portuguesa mais antigo que se conhece (e é consensualmente aceite como tal pela comunidade científica): conservam-se dois testemunhos do documento, um em Lisboa, outro em Toledo. Foi o primeiro de três testamentos que o monarca lavrou, mas apenas este foi redigido na “scripta” portuguesa que na época se estava a desenvolver na corte.


Estes e outros documentos, inclusive aqueles literários, são usados como fontes para o estudo do português arcaico. Com este trabalho, pretende-se investigar os fenômenos linguísticos presentes no português arcaico, face às possibilidades do estudo da fonologia, morfologia e sintaxe que compreende o português arcaico. Todavia, a complexidade desse estudo linguística é um fato, tendo em vista que encontramos algumas dificuldades referenciais e norteadores, que é mais disponível para a morfologia e escassa para a sintaxe. Mas, a compreensão foi significativa e gratificante, pois a partir dessas investigações criamos um novo olhar sobre a língua portuguesa que falamos hoje, fruto da ambição humana e de suas potencialidades.


Justifica-se assim este trabalho, onde o estudo contextualizado do português arcaico, da língua oral e escrita, permite a compreensão das variações do latim romano e outras influências até chegar no português moderno, período que se sucedeu após o fim do português arcaico. Iremos estudar os sintágmas nominais e verbais, a construção de frases e orações, bem como toda a sua estrutura linguística que compreende a língua portuguesa entre o século XII e o século XVI.


Esta observação e reflexão do português arcaico é muito significativa para uma melhor compreensão do percurso histórico da língua portuguesa, daí a importância dos documentos escritos para essas investigações.


Referências bibliográficas:
Gramática Histórica, Dolores Garcia Carvalho e Manoel Nascimento, Ed. Ática, São Paulo- SP.
O Português arcaico: morfologia e sintaxe / Rosa Virgínia Mattos e Silva. 2. Ed. – São Paulo: Contexto, 2001.
http://www.inventario.ufba.br/03/d03/03psouza.htm
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/p00001.htm
http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno10-03.html
http://www.wikipedia.com/
http://cvc.instituto-camoes.pt/tempolingua/07.html