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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Análise literária sobre um poema de Décio Pignatari

(Décio Pignatari – 1968)

Neste poema, temos um exemplo de poesia semiótica, que revela um pouco mais de complexidade semântica, pois sua interpretação exige mais leitura visual das formas puramente gráficas. . Trata-se de um ideograma verbal, cuja distribuição aparece de forma amálgama, revelando a ligação entre as palavras “homem” e “woman”. Sugere a relação entre os dois seres, inserindo-se nesse contexto o ato sexual e a reprodução. 


Análise literária sobre um poema de Paulo Leminski



(Não fosse isso, 1980 – Paulo Leminski)
            
 O arranjo visual das palavras é uma característica marcante da poesia concreta, algumas delas como forma de representação da realidade. Isso faz com que o leitor procure descobrir a forma lógica da apresentação do real, geralmente implícita no poema. 

Como podemos observar no poema de Paulo Leminski (1944-1989), há uma ruptura da sintaxe. Sem a utilização do código verbal, o poema se estrutura pela justaposição de palavras que revelam marcas empresariais famosas da época, em letras maiúsculas e organizadas em grupos.

Década de 80, o poema retrata o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o consumismo de suas marcas. Retrata também a superioridade das multinacionais que sufocam e expõem a fragilidade do desenvolvimento nacional, representada pelas “casas pernambucanas”, em letras minúsculas. O termo “GENERAL”, componente das marcas  General Motors e General Eletric, ocupa uma posição central, que reflete o poder imperialista dos Estados Unidos. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Feito Fera Ferida

FEITO FERA FERIDA


Era Agosto.

Cheio de gosto te conheci.

E à gosto nos tocamos, nos sentimos, nos amamos...

Agosto passou

E o desgosto chegou.

E mais que trinta dias, parece que não tem fim.

Não tem fim a dor.

Meu peito está aberto, machucado, mortalmente ferido.

Coração exposto, dilacerado,

À mostra de uma realidade destituída de qualquer sentimento seu.

Sem compaixão, o devaneio sagaz me amofina,

Veleja em minhas veias,

Percorre todo o meu corpo,

Quer o meu coração parar.

E eu quero viver!

Mas o peito está aberto, vulnerável...

Dos meus olhos vertem vertiginosamente,

Lágrimas de sangue

Já não sei mais o que vejo

E confuso, meus olhos mentem.

Meu hálito resseca meus lábios

Que sangram em busca de vida

Meu corpo padece, perece,

Os poros da epiderme se dilatam.

Sinto a pele rasgar por onde um dia você tocou

E prometeu aquecê-la com os seus abraços

As suas juras falsas e dissimuladas

Que jamais me faria sofrer

Agora cai por terra.

E junto a elas caio eu,

Ferido brutalmente,

Golpeado, lanceado,

Feito fera ferida

Que outrora, em outra vida,

Jamais pudera imaginar

Que um dia te conhecer

Fosse sinônimo de morrer.

Autor: Leo Cruz