quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Análise didática do filme Uma Professora muito maluquinha

O filme “Uma professora muito maluquinha”, adaptação do livro do mesmo nome, de Ziraldo, mostra a história de uma professora (Paola Oliveira) que, recém-formada, passou a lecionar numa escola primária. Com uma metodologia diferente do tradicional, seu método agrada aos alunos, mas incomoda pais e, principalmente, as professoras tradicionalistas da escola.

A trama acontece no início da década de 40, período da II Guerra Mundial. No Brasil, ocorre o fim da ditadura de Getúlio Vargas. No contexto educacional, a tendência tradicional deixa sua influência sobre a prática docente, mas uma nova tendência passa a ser discutida: a Renovadora não diretiva (Escola nova). Nesta pedagogia, a manifestação das práticas pedagógicas, bem como o papel da escola e a relação professor-aluno se contrapõem a tendência tradicional, onde o professor é autoritário e transmissor do conhecimento e o aluno, um mero receptor.

Embora não faça parte do período em que a história se desenvolve, Ziraldo transporta para o ambiente educacional o modelo construtivista. A professora Catarina é uma mediadora do conhecimento e com suas aulas dinâmicas fazia com que os alunos participassem ativamente do próprio aprendizado mediante a experimentação, pesquisa, desenvolvimento do raciocínio, entre outros. Através dessas ações, os alunos construíam o saber a partir da própria interação com o meio em que vivem, fazendo parte dele, ainda que fosse de maneira contextualizada.

Catarina não fazia uso da rigidez nos procedimentos de ensino, não dava importância a avaliação obrigatória e nem fazia uso de material pedagógico que lhe parecesse improdutivo. Sua preocupação didática estava em despertar o interesse e prender a atenção dos alunos, para que assim pudessem assimilar o conteúdo e adquirir o conhecimento.

Através do seu olhar sensível, consegue superar as dificuldades advindas do meio ao qual a escola está inserida. Por meio do fazer pedagógico, a professora fazia com que os conteúdos estivessem conectados à realidade do aluno, ainda que o assunto fosse História Antiga. Sabia contextualizar com a vida e valorizava as potencialidades de cada um.

Em oposição a essa prática pedagógica estava o ensino tradicional das professoras sérias e carrancudas e da diretora da escola, que seguem regras aprovadas pela Educação. O apego ao tradicionalismo é tão forte que há um desprezo pela maneira de ensinar da professora Catarina. As professoras percebiam as mudanças pelo comportamento e interesse dos alunos, mas a inflexibilidade de suas posturas falava mais alto e se levantaram contra Catarina, exigindo providências sobre o seu “estranho” jeito de ensinar, pois consideravam uma subversão. Mas o compromisso que Catarina tinha com o seu trabalho e seus alunos não deixava tempo para se importam com isso.

A atuação da “professora maluquinha” também sofria interferência do Padre Beto, supervisor da escola, que a repreende por conta da queixa das outras professoras. Todavia, sua superação vai além dos encalços daqueles que se desagradavam, pois mesmo numa época em que a tecnologia não estava presente, ela conseguia aproximar sua prática pedagógica à realidade dos alunos e assim, fugia da acomodação e da postura conservadora tão defendida por suas colegas de trabalho.