segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Crítica Social e a Linguagem em Vidas Secas


A CRÍTICA SOCIAL E A LINGUAGEM EM VIDAS SECAS*
*Leonilto Manoel da Cruz, Licenciatura em Letras, UFRR

INTRODUÇÃO

            O presente trabalho vem abordar dois temas bastante presente no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos: A crítica social e a linguagem. Publicado em 1938, a obra narra a vida de uma família de retirantes, marcada por dificuldades advindas da natureza e da opressão do homem, onde o contexto pode ser relacionado com os dias atuais nas diversas óticas temáticas que compõem o romance, como estes que fazem parte da análise.

            Como crítica social, a análise nos leva a perceber como o autor trabalha as personagens e busca explorar paralelamente, a dimensão individual e social de cada uma, de modo que o resultado acaba por problematizar as questões sociais em um tom crítico e denunciativo. A fome, a falta de moradia, a opressão do patrão e do Governo são elementos que atingem Fabiano e sua família que, desamparados no campo social e discursivo, nos faz entender que o autor contempla, de certo modo, muitos Fabianos existentes no Brasil cheio de contrastes e marcado pela desigualdade social.

            A falta de comunicação entre Fabiano, a mulher e os dois filhos nos revela que secas não são somente a vida das personagens, mas também as palavras. A linguagem, ideologicamente compreendida como instrumento de libertação do homem e essencialmente social, não faz parte do cotidiano retratado em Vidas Secas. A ausência do discurso se reflete nas relações entre as personagens e suas ações, onde a comunicação se situa no mesmo nível dos bichos, num processo de animalização. Na análise, podemos perceber que a linguagem é utilizada como arma de opressão sobre Fabiano e sua família, contribuindo para a condição do ser oprimido e marginalizado.
  
A CRÍTICA SOCIAL EM VIDAS SECAS
            
Publicado na década de 30, o contexto histórico do romance Vidas Secas traz uma ótica pautada no subdesenvolvimento social e econômico brasileiro. A ficção regionalista se aproxima da realidade e dá um tom de visão crítica do ponto de vista social. Através do regionalismo e a seca do nordeste, a realidade socioeconômica e as relações de poder, o romance nos faz perceber que fatores como estes transformam o homem, adequando-o a sua realidade (seca, miséria, exploração).
           
            Para Hirato e Cícero (2009, p5), o Modernismo Brasileiro, por estar vinculado ao desenvolvimento da economia capitalista, teve grande efervescência na década de 20 e 30.

“Este, por sua vez, trouxe consigo um momento  de intenso questionamento sobre a realidade social brasileira, tendo o Movimento Modernista logrado combinar com elementos estéticos (ligados às modificações operadas na linguagem) aos elementos ideológicos (diretamente atada ao pensamento, à visão de mundo)”.

Sob esta ótica, os autores observam que a realidade vivida por Fabiano, sua mulher, seus filhos e a cachorra Baleia, não mostra apenas as dificuldades de uma família diante da seca e a opressão geográfica. Expõe o desamparo social e um Nordeste decadente, as injustiças sofridas pelas camadas menos favorecidas e oprimida pela miséria e o descaso político. Segundo Rosa (2002, apud Victor Coelho, 2008), além do desamparo social (acesso a moradia, saúde, educação, segurança) está o desamparo discursivo (formação de valores e ideais), fato que dificulta o sujeito de posicionar-se e ter voz nas relações de poder e contribui mais ainda para o processo de exclusão social. Para a autora, isto “perpetua e submete os sujeitos ao discurso social dominante, promovendo sua adesão aos fundamentos da organização social que lhes atribui lugares marginais”. Desse modo, Victor Coelho (2008) observa que “a hierarquia social é reforçada pela manutenção da violência simbólica”.

Nesse contexto, a obra de Graciliano Ramos nos permite aproximar da visão política do escritor. Em 1936, foi preso acusado por conta de seu envolvimento político. Entra para o Partido Comunista Brasileiro em 1945 e visita União Soviética e outros países socialista em 1952. Isto explica porque “Vidas Secas” possui uma abordagem marxista em seu contexto político-social. O contato que o autor teve com a filosofia marxista nos faz entender porque o autor expõe sua preocupação com a realidade social no Brasil e se posiciona politicamente na produção literária, exercendo um papel de denúncia e de crítica social, características do Neorrealismo. Nesta época, O Brasil vivia a era Vargas, período de transformações sociais e econômicas.

Segundo Hess et al (2005, p.2),

a região em que a crise da sociedade colonial do início do século XX se delineava com mais propriedade era o Nordeste. As tendências modernizadoras e de transformação do país encontravam nessa região obstáculos mais concretos; ali se frustraram as esperanças de uma renovação democrática, como apontou Carlos Nelson Coutinho: “na medida que aí as contradições eram mais ‘clássicas’ (no sentido de Marx), o Nordeste era a região mais típica do Brasil, a sua crise expressando – em toda sua crueza e evidência – a crise de todo o País


Os anos que se sucederam após a I Guerra Mundial provocou profundas mudanças no cenário político entre os países. Com a crise de 1929 dos Estados Unidos, entraram em decadência as oligarquias cafeeiras, fato que fortaleceu o poder do Estado. As transformações econômicas e sociais foram notáveis na Era Vargas, mas a centralização do poder na região sudeste criou dois contrates: o desenvolvimento industrial e a desigualdade social, como a seca e a miséria. É nesse contexto que Graciliano Ramos, alimentado pelos ideais marxistas, assume uma postura de denunciador dos problemas sociais.

Segundo Palermo e Carbonel (2008 p.6), a partir do engajamento com as questões sociais, essa característica baseia-se

na tensão de um “eu” (metonímia do povo, porém ainda assim individualizado) e o mundo (sertão) que não se resolve, uma vez que o drama desse “existir” depende necessariamente da solução de questões mais amplas: a luta de classes, a opressão capitalista, a animalização do homem pelo próprio homem (expressão sociológica da crueldade humana intrínseca).

                Para estes autores, “o foco, definitivamente é a problematização e a discussão da questão social”. Sendo assim, a história de uma família brasileira diante de um cenário de seca e miséria assume uma dimensão maior e passar a representar todos os brasileiros que vivem em semelhante condição. É como afirmam Hirato e Cícero (2009, p5): “Fabiano deixa de ser um personagem fictício e regional”.

            Em Vidas Secas, a opressão não vinha apenas das condições naturais. Fabiano é um nômade, ele não era dono de terras, não tinha propriedade, mas sua andança não se deve apenas à seca.A sua condição de miséria e opressão decorre da grande propriedade, bem como, entre outros fatores, da política de irrigação favorável às classes dominantes. É o capital enquanto relação social que gera e aprofunda a miséria” (HIRATO e CÍCERO, 2009, p7). Fabiano vivencia a opressão do homem através da relação de poder, que se faz presente em vários capítulos da narrativa. No capítulo 10 – Contas, vemos que a permanência na fazenda foi negociada mediante a exploração.

Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro ou assinar a orelha de um cabrito.
Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria a gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco. Transigindo com outro, não seria roubado tão descaradamente. Mas receava ser expulso da fazenda. E rendia-se. Aceitava o cobre e ouvia conselhos. Era bom pensar no futuro, criar juízo. Ficava de boca aberta, vermelho, o pescoço inchando. De repente estourava:
 - Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver sem comer. Quem é do chão não se trepa.
Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.

            Fabiano era um sem terra e para manter-se na casa da fazenda, foi submetido à exploração pelo latifundiário, a quem se refere como um homem “arreliado, exigente e ladrão, espinhoso como um pé de mandacaru” (Capítulo 2 – Fabiano). Melo (2005, p.382) observa que a humilhação e o abandono a que a família sofria, animalizando-os, fortalecia-se por meio do Estado, representado pelo soldado amarelo (cor que simbolizava o Estado). Para a autora, no capítulo “Cadeia”, “o Governo e a lei punham-se em evidência somente para demonstrar o lugar insignificante em que homens como Fabiano se encontravam”. Através do soldado, vemos presente a opressão exercida pelo Estado, a quem o homem deve se sujeitar. No Capítulo 11 – O soldado amarelo, Fabiano tem a chance de se vingar daquele que o colocara na cadeia injustamente. Neste trecho, percebemos que mesmo com o desejo de vingança, tomou consciência de que o soldado amarelo, como ele, era um coitado que recebia ordens de um poder instituído e sendo assim, de nada adiantaria matá-lo, a opressão não deixaria de existir.

Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do policia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.


            Essa consciência das relações de poder fica evidente quando Fabiano pensa “governo é governo” e tira o chapéu de couro, curva-se e ensina o caminho ao soldado amarelo. Isto não significa apenas humildade, vemos aqui um sinal de obediência e submissão aos superiores por meio de costumes.  No Capítulo 7 – O mundo coberto de penas, ao lembrar-se do encontro, pensa que se tivesse matado o soldado, estaria preso, mas seria um homem respeitado. - Fabiano, meu filho, tem coragem. Tem vergonha, Fabiano. Mata o soldado amarelo. Os soldados amarelos são uns desgraçados que precisam morrer. Mata o soldado amarelo e os que mandam nele”.   

            Ao ensinar o caminho ao soldado amarelo ao invés de matá-lo, Fabiano não estava evitando apenas sua prisão. Estava também evitando a prisão de sua mulher e seus filhos, que ficariam vulneráveis, sem a sua proteção, como mostra esse trecho do Capítulo 3 – Cadeia: “Pobre de sinhá Vitória, inquieta sossegando os meninos. Baleia vigiando, perto da trempe. Se não fossem eles... (...) o que o segurava era a família”. Segundo Victor Coelho (2008), “parece que Graciliano Ramos quer um destino diferente para a família de Retirantes. O conhecimento sociológico da época, assim como o marxismo, já diziam que a eliminação de um indivíduo não implica as alterações estruturais e nas relações sociais”.

            Por ser preso injustamente, Fabiano não se convencia de que o soldado amarelo representasse o governo: “Governo, coisa distante e perfeita, não podia errar. O soldado amarelo estava ali perto, alem da grade, era fraco e ruim, jogava na esteira com os matutos e provocava-os depois. O governo não devia consentir tão grande safadeza” (Capítulo 3 – Cadeia). Nessa concepção, Fabiano idealiza um governo justo, representado por pessoas honestas, não pelo soldado amarelo, que se beneficia do poder para abusar dos menos favorecidos e marginalizados.

            Outro momento em que Fabiano entra em contato com o governo acontece no capítulo 10 – Contas, quando surge o fiscal da prefeitura para cobrar imposto da venda de um porco que matara.  E aqui Venturotti (2008, p.4) traz uma reflexão: “o que realmente significaria para o sertanejo, isolado no mundo e sem os devidos recursos do Governo, os impostos obrigados a pagar?” Silva (2001, p.17) observa que a pior adversidade de Fabiano vem do meio social.

O Soldado Amarelo corrupto, oportunista e medroso, que subjuga os demais por compreender-se como a força da lei; o dono da fazenda exigente, ladrão e opressor; o fiscal da prefeitura intolerante e explorador só espelham os desmandos sociais dentro dos quais se perdem Fabiano e sua família. Esses personagens, caracterizados como ricos proprietários e opressores, não têm necessidade de fugir das secas. É justamente esta a preocupação paralela de Graciliano Ramos, denunciar a desigualdade entre os homens, a opressão social, a injustiça. Em momento algum o esmagamento de Fabiano e sua família é explicando apenas pela seca ou qualquer fator geográfico.


A LINGUAGEM EM VIDAS SECAS

            Diante de tamanha opressão, Fabiano não se sentia dono de sua própria linguagem. Sendo a linguagem um dos fatores fundamentais para que o homem se insira na sociedade, esta lhe era subtraída diante da exploração vivida.

            Durante a Era Vargas, o Integralismo ganhou força no Brasil. As ideias integralistas eram bem recebidas pelas camadas médias urbanas e intelectuais da época, passando a representar um dos mais importantes movimentos no cenário político da década de 30. Sua filosofia se caracterizava principalmente pelo nacionalismo e defesa da hierarquia social. Segundo Arraes (2011, p.50), “Vargas estava atento ao fato de que a linguagem, sob o viés da cultura, poderia ser uma estratégia de controlar e unificar os brasileiros”. E isto Vargas fez bem. Controlava a cultura por meio da censura, criou o ministério da Saúde, Educação e Trabalho e governou o país sendo populista e centralizador. Em relação a educação, Arraes afirma que o Governo, “ao mesmo tempo que reconhecia as necessidades populares, cedendo a algumas pressões, desenvolvia uma política de massa que procurava manipular essas necessidades, transformando a educação em uma forma de controle e difusão da ideologia oficial (idem, p. 52).

            No contexto internacional, Getúlio Vargas queria passar a imagem de um país de riquezas naturais, em amplo desenvolvimento socioeconômico, a que a autora chama de “exaltação ufanista”. Como contraste estava a pobreza do sertão, não importadas pelas canções que divulgavam um Brasil sem a  realidade da seca, da miséria e exploração.

            É nesse contexto que Graciliano Ramos, imbuído dos ideais marxistas, escreve o romance Vidas Secas, denunciando o desamparo social num Brasil esquecido, vivido por muitos “Fabianos” explorados pelo sistema agrário que fortalecia o latifúndio. Na obra, percebemos como as relações de poder, a mais-valia e a desigualdade social por meio da exploração se fazem presentes. O silêncio das personagens, a falta de diálogo, o “exílio linguístico” como estudaremos mais adiante, nos revela o drama de uma família desamparada, que se cala diante da natureza hostil e da hostilidade de uma classe dominante.

O romance nos faz entender que não é a terra que é seca, são as vidas. A maior parte da narrativa acontece num período propício para a produção e fartura.

Bem. A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solidão. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinhá Vitoria vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde. (Capítulo 1 – Mudança)
            De fato, a seca só volta a partir do penúltimo capítulo. Com a estação que favorecia a plantação, nascia também a esperança de que a vida seria melhor. Mas ali, numa terra de donos, onde a exploração e a opressão criavam raízes, Fabiano não tinha condições de se legitimar como homem, impossível ainda seria legitimar seus sonhos. 

De acordo com Silva (2001, p.12) “secas não são só as vidas das personagens e as paisagens que atravessam o sertão nordestino, mas também a linguagem do livro”. No capítulo 2 – Fabiano, podemos perceber como a comunição era escassa, mirrada, quase ausente.

Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos - exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.

            Protez e Menon (2008, p.2) referem-se ausência de linguagem como “a atrofia da palavra, fator que gera a exclusão”. Essa “atrofia” não tem raiz na estrutura familiar e sim, em fatores externos que atingem Fabiano e sua família de modo que as interações que norteiam as relações afetivas e sociais são produtos dessas interferências. Em alguns trechos, percebemos que Fabiano nem sempre se sente confortável em relação à linguagem. No Capítulo 2, Fabiano vê em eu Tomás da Bolandeira um modelo de comunicação e deseja adquirir uma linguagem mais instruída, ou seja, sente necessidade de comunicação: “Em horas de maluqueira Fabiano desejava imitá-lo: dizia palavras difíceis, truncando tudo, o convencia-se de que melhorava. Tolice. Via-se perfeitamente que um sujeito como ele não tinha nascido para falar certo”.

De acordo com Melo (2005, p.385), o desconhecimento da linguagem por parte de Fabiano configurava o desconhecimento da sua realidade, pois “o domínio da linguagem era o domínio do mundo, da realidade, a compreensão de seus mecanismos”. Isto explica porque Fabiano considerava as palavras perigosas: “Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas”. Melo (2005, p.385) considera que “o ser bicho estava relacionado ao arcaísmo da linguagem de Fabiano e sua Família”. Segundo a autora, somente a palavra lhe daria condições de torná-lo homem, uma vez que a compreensão da realidade se dá mediante a aquisição da linguagem.

Logo no capítulo I – Mudança, percebemos a incomunicabilidade da família que, para aliviar a fome, matara o papagaio mudo: “Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco. E depois daquele desastre viviam todos calados, raramente soltavam palavras curtas. O louro aboiava, tangendo um gado inexistente, e latia arremedando a cachorra”.

Essa “atrofia da palavra” conforme diz Protez e Menon, é sentida pelos irmãos. A falta de domínio da linguagem dificultava não somente os meninos, mas também Fabiano, que muitas vezes não era compreendido por não saber se expressar. Dessa forma, as frases soltas com repetições e sons guturais recebiam o auxílio de gestos e assim alcançava mais êxito na comunicação. No Capítulo 7 – Inverno, podemos perceber o quanto a linguagem no contexto familiar era deficiente.

Fabiano tornou a esfregar as mãos e iniciou uma historia bastante confusa, mas como só estavam iluminadas as alpercatas dele, o gesto passou despercebido. O menino mais velho abriu os ouvidos, atento. Se pudesse ver o rosto do pai, compreenderia talvez uma parte da narração, mas assim no escuro a dificuldade era grande. (...)

Fabiano gesticulava. Sinhá Vitoria agitava o abano para sustentar as labaredas no angico molhado. Os meninos, sentindo frio numa banda e calor na outra, não podiam dormir e escutavam as lorotas do pai. Começaram a discutir em voz baixa uma passagem obscura da narrativa. Não conseguiram entender-se, arengaram azedos, iam se atracando. Fabiano zangou-se com a impertinência deles e quis puni-los. Depois moderou-se, repisou o trecho incompreensível utilizando palavras diferentes.(...)

O menino mais velho estava descontente. Não podendo perceber as feições do pai, cerrava os olhos para entendê-lo bem. Mas surgira uma duvida. Fabiano modificara a historia - e isto reduzia-lhe a verossimilhança. Um desencanto. Estirou-se e bocejou. Teria sido melhor a repetição das palavras. Altercaria com o irmão procurando interpreta-las. Brigaria por causa das palavras - e a sua convicção encorparia. Fabiano devia tê-las repetido. Não. Aparecera uma variante, o herói tinha-se tornado humano e contraditório.


            Vemos na insatisfação do irmão mais velho a busca incessante pelo significado das palavras.  Outro exemplo de busca do conhecimento através da linguagem está no capítulo 6 – O menino mais velho, que ao ouvir a palavra inferno, busca a sua compreensão: “Entranhando a linguagem de sinhá Terta, pediu informações”. Após algumas tentativas em vão com a mãe, o menino também se frustra com o pai e por ter seu direito de saciar sua curiosidade cerceado, desabafa-se com a cachorra Baleia: “Explicou isto à cachorrinha com abundância de gritos e gestos” . No capítulo 8 – Festa, podemos notar que os irmãos se sentem num ambiente de conflito, estranhos ao mundo da linguagem, dos nomes e das coisas:

Agora olhavam as lojas, as toldas, a mesa do leilão. E conferenciavam pasmados. Tinham percebido que havia muitas pessoas no mundo. Ocupavam-se em descobrir uma enorme quantidade de objetos. Comunicaram baixinho um ao outro as surpresas que os enchiam. Impossível imaginar tantas maravilhas juntas. O menino mais novo teve uma duvida e apresentou-a timidamente ao irmão. Seria que aquilo tinha sido feito por gente? O menino mais velho hesitou, espiou as lojas, as toldas iluminadas, as mocas bem vestidas. Encolheu os ombros. Talvez aquilo tivesse sido feito por gente. Nova dificuldade chegou-lhe ao espírito soprou-a no ouvido do irmão. Provavelmente aquelas coisas tinham nomes. O menino mais novo interrogou-o com os olhos. Sim, com certeza as preciosidades que se exibiam nos altares da igreja e nas prateleiras das lojas tinham nomes. Puseram-se a discutir a questão intrincada. Como podiam os homens guardar tantas palavras? Era impossível, ninguém conservaria tão grande soma de conhecimentos. Livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. Não tinham sido feitas por gente. E os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. Vistas de longe, eram bonitas. Admirados e medrosos, falavam baixo para não desencadear as forcas estranhas que elas porventura encerrassem.


Protez e Menon (2008, p.4) observam que a ausência de linguagem entre as personagens evidencia a semelhança entre o homem e o animal, comunicando-se “por gestos e ruídos e sem atingir um discurso coerente”. O diálogo quase inexistente parece se justificar pela brutalidade da seca que fazia Fabiano sentir-se um bicho. O silêncio das palavras, na verdade, expõe a miséria da família que se encontra excluída e marginalizada. Sendo assim, a falta de comunicação a mantinha estagnada, sem condições de avançar. Nesse aspecto, Coelho (2008) considera “a questão da linguagem como uma barreira social e, mais ainda, como demarcadora de uma hierarquia social”.

            Diante dessa marginalização que se constitui pela ausência de comunicação, Venturotti (2008, p. 3) chama de “exílio linguístico”. Segundo o autor, a linguagem se torna um mundo tão hostil quanto à seca da região. Isso explica a perturbação dos meninos sem nome em algumas partes da narrativa. Descobrir o significado das coisas tornavam-nas mais próximas: “Livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas”( Capítulo 8 – Festa). Para Venturotti, o exílio linguístico

está na própria realidade de não terem um nome. Tão desumanizados e destituídos de si mesmos. Permanecem no anonimato, denunciando um descaso com aqueles que vivem no sertão. Não tendo nomes, não possuem identidade e, consequentemente, não adquirem direitos. A mudez a que a família é submetida funciona como um elemento de não-humanidade, por isso ela almeja a linguagem como um fato libertador de sua condição semi-animalesca.
           
            Quando estava na cadeia, Fabiano lamenta por não saber falar direito. Se soubesse, teria se defendido da mal que sofrera. Silva (2001, p.22) considera que, nesse caso, “o bom desempenho linguístico seria uma arma, uma defesa contra injustiças, exclusão, discriminação”. Por não ter instrução, Fabiano recuara, inseguro de seus argumentos diante dos argumentos do soldado amarelo: “Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. (...) Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos (Capítulo 3 – Cadeia).   

Outro aspecto importante a ser considerado nessa obra é a fragmentação do romance. A fragmentação não rompe apenas com a linearidade do tempo, ela está presente na linguagem quase inexistente e na compreensão da realidade, na seca que obriga a família a fugir e na opressão social.


“O romance,constituído de treze capítulos, não obstante apresenta-se fragmentário, como quadros de episódios da família, liga-se de modo contínuo, pois o primeiro e o último capítulo tratam do mesmo tema: a fuga da seca.Este caráter revela uma intencionalidade cíclica para a família de Fabiano, pois o mundo fecha-se para eles. (VENTUROTTI, 2008, p.3)

           
A volta da seca no último capítulo parece fechar o mundo para Fabiano, vida cíclica que reforça a perpetuação da miséria, dentro de uma concepção naturalista, em que o sujeito é influenciado pelo meio e pelo contexto histórico. Então, Fabiano segue o mesmo destino que teve seu pai, e que terá seus filhos.

A sina dele era correr mundo, andar para cima e para baixo, a toa, como judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca. (Capítulo 2 – Fabiano)

Bem. Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? Se lhe dissessem que era possível melhorar de situação, espantar-se-ia. Tinha vindo ao mundo para amansar brabo, curar feridas com rezas, consertar cercas de inverno a verão. Era sina. O pai vivera assim, o avô também. E para trás não existia família. Cortar mandacaru, ensebar látegos - aquilo estava no sangue. (Capítulo 10 – Contas)

           
            Fabiano vivia num mundo incompreensível, do mundo para si e dele para o mundo. A violência simbólica imposta pelo desamparo discursivo o levava a acreditar que sua pobreza e vida sofrida também tinha um processo natural, a quem não competia entender.

            Se a linguagem é fator determinante para a compreensão do mundo, o “apartheid linguístico” segrega o ser humano, alimenta a desigualdade e o põe à margem da ignorância. Fabiano e sinhá Vitória fazia isso com seus filhos. Quando o filho mais velho queria saber o que era inferno, percebemos que o menino buscava um mundo desconhecido que viesse a ser revelado através das coisas, dos nomes. Reprimi-los e cerceá-los não apenas os impediam de compreender as coisas e passar a enxergá-las à luz das revelações, era mais que isso. Essa influencia do meio tornariam os filhos como os pais, sem a força da palavra e andantes de um sertão implacável, castigados pela natureza e explorados pelos patrões.

CONCLUSÃO

            Diante do exposto no desenvolvimento deste trabalho, analisamos a crítica social e a linguagem em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que tematiza o livro a partir de Fabiano e sua família e expõe o abandono e o descaso somados à opressão social e à fuga da seca. A enumeração de elementos presentes na obra compõe o cenário de Vidas Secas e retrata a exploração do homem por meio da negação de seus direitos, caracterizados como desamparo social e discursivo.

            Durante a análise, pode-se constatar a situação de miséria e exploração em que vive Fabiano e sua família, castigados pela seca e injustiçados pelo dono da fazenda e governo, contexto histórico que pode estender-se desde à época da publicação da obra até os dias atuais. A falta de comunicação também se mostra como arma de opressão, pois subtrai do homem a palavra, tão necessária para conviver socialmente, em que a linguagem tem papel decisivo de construção do sujeito. Desse modo, o autor expõe a exclusão social marcada pela ignorância linguística e miséria, perpetuando a condição de oprimida da família que silencia e sofre, de maneira que traduz o título tal como suas vidas: secas.
  

REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS

ARRAES, Danielle de Campos Gaspar. Linguagem, Poder e Educação: Vidas Secas de Graciliano Ramos e o Estado Novo de Getúlio Vargas. Revista Litteris: no 8, 2011

COELHO, Victor de Oliveira Pinto. Vidas Secas e o Sol da Esperança: uma análise da obra de Graciliano Ramos. Literatura e Autoritarismo: Dominação e Exclusão Social. Revista no 11, 2008.

MELO, Ana Amélia M. C. A Crítica Social e a Escrita em Vidas Secas. Estudos, Sociedade e Agricultura, ano 13, volume 02. UFRRJ, 2005

PALERMO, Iraídes Fátima Bogni e CARBONEL, Thiago Ianez. A retórica da reificação: reflexos contextuais no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Anais do I Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa. São Paulo: 2008.

PROTEZ, Cláudia Fernanda e MENON, Maurício. O homem e a linguagem em Vidas Secas. Revista Eletrônica Lato Sensu: Ed. 4. UNICENTRO, 2008

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Posfácio de Marilene Felinto. – 95ª edição – Rio de Janeiro: Record, 2004.

SILVA, Maria de Narazé Moreira da. A secura do mundo seca a palavra de Fabiano. Belém: Universidade da Amazônia, 2001

VENTUROTTI, Fábio. Exílio, Fronteira e Fome em Vidas Secas. Revista Crioula: no 3, 2008

HESS, Bernard H., BRUNACCI, Maria Izabel, FARIA, Viviane Fleury. Estética da Nacionalidade em Graciliano Ramos. Unicamp, 2005

HIRATA, Francine e CÍCERO, Pedro Henrique. Vidas Secas e muitos “Fabianos”: uma breve problematização das teorias dos movimentos sociais a partir de uma perspectiva de classe. Unicamp, 2009.



Análise literária sobre um poema de Décio Pignatari

(Décio Pignatari – 1968)

Neste poema, temos um exemplo de poesia semiótica, que revela um pouco mais de complexidade semântica, pois sua interpretação exige mais leitura visual das formas puramente gráficas. . Trata-se de um ideograma verbal, cuja distribuição aparece de forma amálgama, revelando a ligação entre as palavras “homem” e “woman”. Sugere a relação entre os dois seres, inserindo-se nesse contexto o ato sexual e a reprodução. 


Análise literária sobre um poema de Paulo Leminski



(Não fosse isso, 1980 – Paulo Leminski)
            
 O arranjo visual das palavras é uma característica marcante da poesia concreta, algumas delas como forma de representação da realidade. Isso faz com que o leitor procure descobrir a forma lógica da apresentação do real, geralmente implícita no poema. 

Como podemos observar no poema de Paulo Leminski (1944-1989), há uma ruptura da sintaxe. Sem a utilização do código verbal, o poema se estrutura pela justaposição de palavras que revelam marcas empresariais famosas da época, em letras maiúsculas e organizadas em grupos.

Década de 80, o poema retrata o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o consumismo de suas marcas. Retrata também a superioridade das multinacionais que sufocam e expõem a fragilidade do desenvolvimento nacional, representada pelas “casas pernambucanas”, em letras minúsculas. O termo “GENERAL”, componente das marcas  General Motors e General Eletric, ocupa uma posição central, que reflete o poder imperialista dos Estados Unidos. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Viagem ao Forte São Joaquim - Boa Vista / Roraima


Relatório produzido por Leonilto M Cruz - UFRR

5 de outubro de 2012. Às 6 horas e 45 minutos da manhã, cheguei à beira do Rio Branco no local conhecido como Marina Meu Caso, juntamente com minha colega de curso Luziane, seu filho e meu amigo José Salazar. Havia uma leve brisa e o céu estava parcialmente nublado, o que indicava que a viagem seria tranquila e o sol do verão não castigaria tanto. Após a chegada do professor Eliakin e de sua amiga norte-americana, que aproveitava a ocasião para conhecer o Forte São Joaquim, decidimos aguardar alguns minutos e esperar outros colegas que ainda não haviam chegado. Com a saída programada para 7 horas e em virtude do atraso, o professor decidiu começar a viagem, mesmo sem todos os alunos. Saímos às 7 horas e 22 minutos com um grupo formado por 7 pessoas e o barqueiro, responsável e pago para nos levar ao Forte.

                A viagem de ida é contra a correnteza do Rio Branco. Aos poucos a cidade de Boa Vista, capital de Roraima, se distanciava e podíamos ver mais atrás em direção ao curso do rio, a Serra Grande que fica no município do Cantá. Passamos pela boca do Rio Cauamé, lado direito para quem sobre, às 7 horas e 32 minutos. Pode-se perceber o encontro das águas deste rio com o Rio Branco, pois as águas do Cauamé são mais limpas, num tom esverdeado, e as águas do Rio Branco são mais escuras.

                Às margens do rio fica a mata ciliar e algumas espécies nativas estão florescidas. O professor Eliakin observou que seria um tipo de primavera roraimense, por estarmos no mês de setembro e algumas árvores florescem nesse período. Ao longo do percurso e próximo ainda à Boa Vista, redes velhas de pescas estão presas em galhadas às margens do rio, e uma bem acima do nível do rio, revelando traços da grande enchente do ano anterior. Grupos de amigos ou famílias com mantimentos e utensílios de pescam eram vistos ao longo do rio, alguns com redes de dormir armadas, indicando que passariam o dia inteiro ali. Durante o verão, o rio baixa e longas praias se formam, fazendo com que o barqueiro conduzisse o transporte, às vezes, em zigue-zague, para evitar que ficássemos encalhados em algum ponto do rio. Também se vê grandes barracos às margens, e raízes retorcidas de árvores que dão o seu jeito para continuar em pé à beira do rio. Uma grande rede de pesca estava estendida entre as margens do rio e junto a ela, um pescador em sua canoa.

                Às 8 horas, chegamos à entrada do Rio Água Boa, que fica do lado direito para quem sobe. A viagem segue e áreas particulares também compõe a paisagem. Uma delas chama a atenção por uma capela construída às margens do rio e que pode ser vista de longe, indicando a religiosidade daquele domínio. Às 8 horas e 57 minutos, nos deparamos com o Rio Tacutu à direita e o Rio Uraricoera, à esquerda. Neste ponto se inicia o Rio Branco, formado pela junção dos dois rios.

                Chegamos ao Forte São Joaquim às 9 horas e 5 minutos. Tivemos que desembarcar na praia e caminhamos uns 300 metros até chegar à margem direita do rio Tacutu, onde fica o Forte. O abandono do local causa, de certa forma, uma tristeza por ver um importante registro histórico abandonado, tomado pelo mato e em área particular. Em 1775, deu-se início a construção deste Forte, que foi concluído em 1788. Marca o início da ocupação das terras em Roraima pelos portugueses.

O professor chamou a atenção para as construções recentes, que não deviam fazer parte do cenário, como o portal com o nome do Forte e uma construção para a acomodação do canhão, construída com pedras e cimento. Mesmo tomado pelo mato, o local pode ser explorando e ainda há formações de pedras que compõem o muro de proteção e a entrada do Forte. O local é bastante castigado pela ação do homem. Às 9 horas e 43 minutos, saímos do Forte são Joaquim e seguimos viagem em direção a Fazenda São Marcos, hoje área de reserva indígena São Marcos.

A Fazenda São Marcos foi construída em 1799 pelo comandante do Forte São Joaquim, capitão Nicolau de Sá Sarmento. Às 10 horas, chegamos à Fazenda. O local é habitado por famílias indígenas. Bastante castigado pelo tempo e pelo abandono, uma capela, um casarão e uma antiga caixa d’água compõem a riqueza do local.  Pedras utilizadas na construção do Forte São Joaquim foram retiradas para a construção do alicerce do casarão.

Paramos para um farto lanche feito em cima de uma canoa emborcada, debaixo de uma grande mangueira e, às 10 horas e 41 minutos, saímos da Fazenda para fazer o percurso de volta, desta vez mais rápido porque é descendo o rio. Às 11 horas e 40 minutos, entramos uns 400 metros na boca do Rio Água Boa para um banho em sua água limpa e transparente. 10 minutos depois, seguimos viagem de volta à Boa Vista e chegamos ao Marina Meu Caso, local de embarque, às 12 horas e 11 minutos.
Imagem do percurso realizado
Formação do Rio Branco
Vista aérea da Fazenda São Marcos 
Marina Meu Caso - local de embarque
Marina Meu Caso - Saída
Vista da Serra Grande ao fundo
Primavera Roraimense
Pescador - rede estendida ao longo do rio
Aspecto de grande parte das margens do Rio Branco
Entrada do Rio Água Boa à esquerda
Pessoas pescando nas margens do Rio Branco
Capela em propriedade particular
Construção recente - não paz parte do Forte São Joaquim
Muro de proteção construído com pedras
Área frontal do Forte
Área Frontal do Forte
Construção recente - não faz parte do Forte
Fazenda São Marcos - Capela

FSM - Casarão

FSM - Entrada do Casarão

FSM - área dos fundos do casarão

FSM - frente do casarão

FSM - Caixa d'água
Professor Eliakin Rufino e alunos da disciplina Literatura em Roraima - UFRR

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Resumo do filme A onda (2008)


O filme alemão ‘’A onda’’ foi baseado na obra do autor americano Todd Strasser , homônimo e no experimento social A terceira onda. Relata a experiência de um Professor alemão que tenta transformar sua sala de aula numa sociedade fascista ‘’A onda’’, esta propagando-se rapidamente deixando seu criador o Profo Rainer Wenger sem o controle.

A escola, palco de quase todo o filme, está numa semana de matéria letiva, os alunos devem escolher uma matéria e frequentar seu projeto. O Profo Rainer discute autocracia com a turma e percebendo o desinteresse da classe com a matéria e de acreditarem que a ditadura já não mais consegue se instalar em uma sociedade como a que eles estão vivendo, resolve desenvolver um projeto tornando a turma uma verdadeira comunidade fascista, demonstrando como a massa pode ser facilmente manipulada.

 Pela recusa do Profo Wieland em ceder a matéria anarquia, Rainer entra com todo o entusiasmo no seu projeto sobre autocracia, resolve ainda fazer com que cada aluno vista-se com camisetas brancas e jeans acabando com qualquer distinção entre as classes, tornando-as iguais.  Vendo o seu poder sob os alunos e que seus planos de inícios estavam dando certo, cresce seu orgulho  e aumenta ainda mais a sua ambição. Mas logo, sem perceber, perde o controle sobre os seus alunos e estes começam a fazer do grupo um estilo de vida e a vivê-lo fora dos muros da escola,  propagando os símbolos da comunidade por vários lugares da cidade e  excluindo todos os que se opuseram ao grupo.

        Quando o Profo Rainer percebe que A onda saiu do controle e tenta interrompê-la já é tarde demais para evitar as consequências.

Por José dos Reis Salazar, acadêmico de direito - Faculdades Cathedral