segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Análise literária sobre um poema de Paulo Leminski



(Não fosse isso, 1980 – Paulo Leminski)
            
 O arranjo visual das palavras é uma característica marcante da poesia concreta, algumas delas como forma de representação da realidade. Isso faz com que o leitor procure descobrir a forma lógica da apresentação do real, geralmente implícita no poema. 

Como podemos observar no poema de Paulo Leminski (1944-1989), há uma ruptura da sintaxe. Sem a utilização do código verbal, o poema se estrutura pela justaposição de palavras que revelam marcas empresariais famosas da época, em letras maiúsculas e organizadas em grupos.

Década de 80, o poema retrata o desenvolvimento industrial dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que chama a atenção para o consumismo de suas marcas. Retrata também a superioridade das multinacionais que sufocam e expõem a fragilidade do desenvolvimento nacional, representada pelas “casas pernambucanas”, em letras minúsculas. O termo “GENERAL”, componente das marcas  General Motors e General Eletric, ocupa uma posição central, que reflete o poder imperialista dos Estados Unidos.