sexta-feira, 15 de março de 2013

O existencialismo e o filme o sétimo selo


Por José Salazar - acadêmico de direito

O existencialismo não tem uma corrente filosófica unificada. Iniciada por volta do século XIX, possui profundas diferenças em termo doutrinário, propagava que a crença do pensamento filosófico inicia-se com o pensamento humano, não exatamente  o sujeito pensante mas suas ações, seu sentimentos e a vivência de um ser humano individual. Portanto, a grande separação entre a filosofia existencialista para a filosofia clássica é a oposição ente o concreto e o abstrato. Vale ressaltar que para Jean Sartre o Deus não existente e o homem nasce desprovido de tudo, ou seja, uma ser que nasce antes de todos os conceitos.

A obra o sétimo selo de Ingmar Bergman, mundialmente famosa, retrata exatamente essa fase do existencialismo, a inexistência de Deus e a buscar do verdadeiro sentido da vida. Lançada em 1957 próximo à segunda guerra mundial, das ameaças nucleares e dos traumas holocaustos, é em meio a esse clima a produção do filme o sétimo selo. Após ser convidado para uma partida de xadrez, Block se questiona durante toda a trama sobre o significado da vida enquanto tenta ganhar o jogo com a morte.

O primeiro ponto onde podemos identificar o existencialismo no filme esta no início, quando o cavaleiro ora a Deus e logo após aparece a morte. Pode se notar que o ator reza em vão e que a única verdade certa é o jogo com a morte. O filme todo ronda em torno da busca para o sentido da vida, se realmente existe Deus. O jogo de xadrez com a morte caracteriza-se como uma sátira perfeita ao que Sartre entende sobre a vida, onde se é livre para fazer escolhas, mas que inevitavelmente, independente de nossas escolhas, nunca se escapa da morte que vem para representar o absurdo da vida.

Bibliografia:
CABRERA, Julio. O cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997