segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Feito Fera Ferida

FEITO FERA FERIDA


Era Agosto.

Cheio de gosto te conheci.

E à gosto nos tocamos, nos sentimos, nos amamos...

Agosto passou

E o desgosto chegou.

E mais que trinta dias, parece que não tem fim.

Não tem fim a dor.

Meu peito está aberto, machucado, mortalmente ferido.

Coração exposto, dilacerado,

À mostra de uma realidade destituída de qualquer sentimento seu.

Sem compaixão, o devaneio sagaz me amofina,

Veleja em minhas veias,

Percorre todo o meu corpo,

Quer o meu coração parar.

E eu quero viver!

Mas o peito está aberto, vulnerável...

Dos meus olhos vertem vertiginosamente,

Lágrimas de sangue

Já não sei mais o que vejo

E confuso, meus olhos mentem.

Meu hálito resseca meus lábios

Que sangram em busca de vida

Meu corpo padece, perece,

Os poros da epiderme se dilatam.

Sinto a pele rasgar por onde um dia você tocou

E prometeu aquecê-la com os seus abraços

As suas juras falsas e dissimuladas

Que jamais me faria sofrer

Agora cai por terra.

E junto a elas caio eu,

Ferido brutalmente,

Golpeado, lanceado,

Feito fera ferida

Que outrora, em outra vida,

Jamais pudera imaginar

Que um dia te conhecer

Fosse sinônimo de morrer.

Autor: Leo Cruz