quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Os desafios da família na educação dos filhos


Nos tempos atuais, é muito comum ouvir comentários e debates sobre a família, sua função social e sua atual conjuntura. Célula fundamental da sociedade e insubstituível, questiona-se sua participação na educação dos filhos e sua formação enquanto ser social.

Que família temos e que família queremos? O que é família? Considerada a mais antiga instituição social, é o fundamento básico e universal da sociedade, pois possibilita um conjunto de regras de acordo com a sua cultura e oferece padrões de conduta que orienta o indivíduo em sua relações sociais. Teoricamente, é isso mesmo. Todavia, ao analisar as mudanças pelas quais a estrutura familiar vem passando, essa concepção tão objetiva caminha para um novo conceito, bem diferente e mais complexo que o papel social que a família exercia na Idade Média e Era Moderna.

Distintamente, nos deparamos com profundas transformações que influenciaram e ainda influenciam a funcionalidade familiar. E aí pergunto: Os pais estão preparados para essas mudanças? Eles estão proporcionando aos filhos, através de regras, valores, orientação – um melhor desenvolvimento para a vida e convívio social? Ou estão deixando essa imprescindível tarefa para outras instituições sociais como as escolas, igrejas, projetos culturais, etc.?

Hoje, vivemos numa sociedade altamente tecnológica e a família repassa à criança aquilo que a sua realidade oferece, socialização que pode ser organizada ou não se desenvolver gerando uma relação conflituosa e, às vezes, decadente. Os desafios com os quais a família de hoje se depara é reflexo dessa dinâmica histórica e social existente.

Não dá mais para educar um filho como fomos educados pelos nossos pais há décadas atrás. Os pais precisam entender que o que para eles se tornou estabelecido, o modo como foram educados no contexto familiar, em grande parte, é objeto de crítica pelos filhos, pois a realidade é outra e as fórmulas do passado são naturalmente incompreendidas, ou seja, a criação tradicional não tem mais o mesmo efeito.

Além do mais, a estrutura familiar está diversa. Famílias com pais separados, o declínio da autoridade marital ou paterna, o aumento das relações sexuais fora do casamento, o baixo capital cultural, a presença da mulher no mercado de trabalho, a acentuação do individualismo e da liberdade da família, o declínio na conduta religiosa no lar, entre outros, são fatores que promovem uma nova (des)organização familiar responsáveis por essas mudanças. As transformações na sociedade contemporânea, a mudança de valores e liberalização de hábitos e costumes estão desencadeando um processo de fragilização dos vínculos familiares, o que torna a relação entre pais e filhos mais vulnerável.

A verdade é que o modelo de família está em crise. Serão os nossos filhos vítimas dessa pluralidade que configura a flexibilidade da estrutura familiar da sociedade pós-moderna? O que estamos ensinando a eles? É possível transmitir valores dentro de uma sociedade que mais exige do que possibilita? Uma certeza tenho: não se deve temer o desafio do presente na educação dos filhos, pois dessa forma, além de promover os pilares constituinte de uma família, teremos no futuro adultos mais conscientes de seu papel na sociedade e de sua contribuição por um mundo melhor.