quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Políticos e corrupção: um espelho da nossa sociedade?


Não importa o lugar e o ambiente, pode ser numa roda de amigos em mesa de bar ou numa reunião social, quando o assunto é política não há quem não alfineta político A ou B, sempre há alguém que reclama, critica e até faz uma relação nominal dos políticos “ficha-suja”, descreve com precisão o que cada um fez, o que roubou e ainda explica porque tudo termina em pizza.

Realmente. A televisão, os jornais, a internet, os meios de comunicação estão ao alcance de todos. Só não se informa ou não se instrui politicamente quem não quer. E essa história de falar mal dos políticos é coisa antiga, nos cartoons ou revistas de piadas eles são estereotipados, rotulados, quase nunca são honestos, comprometidos com a ética e a moral.

Essa é a nossa cultura, o senso comum que vê na política brasileira adjetivos que reprovamos e repudiamos como se nós, eleitores, fôssemos de caráter exemplar, isentos de corrupção, jamais conivente com esse tipo de prática, afinal, é assim que tem que (ou deveria) ser.

Todavia, não é o que diz uma pesquisa do Ibope realizado no mês de março de 2009. A pesquisa revela que a maioria dos entrevistados (75%) declarou que faria a mesma coisa se estivesse no poder. Contradição?  Não, meu prezado leitor, é um convite à reflexão sobre os políticos que nos representam no poder e à relação de suas ações com que fazemos enquanto indivíduos na sociedade.

Ora, se alguém comete pequenas ilicitudes no dia a dia, transgride normas sociais, não pensa duas vezes em se dar bem em detrimento do outro, o que faria se fosse um político? Então pergunto: O homem se corrompe pelo poder ou o poder é mero pretexto para justificar a sua corrupção? Quem é essencialmente íntegro, um sujeito de princípios, se corrompe também só porque se tornou um político?

Eu ainda não era eleitor quando conheci um prefeito de uma cidade onde morei. Até hoje, quando ouço falar dele, citam exemplos de sua dignidade e bom caráter. Não comprou terras, não multiplicou o gado, continuou com o mesmo carro velho, o mesmo endereço. Só que nunca mais ganhou uma eleição porque não tinha dinheiro para comprar os votos dos eleitores corruptos, que segundo a pesquisa supracitada, não são poucos. Parafraseando o nosso governador, uma vez ouvi o ex-prefeito dizer que não ganhava mais nem para vereador. Da sua história, fica a certeza que todo bom político tem que ter ao seu lado bons eleitores.

Então, prezado leitor, se reclamar da corrupção no país não é novidade, devemos refletir se não estamos agindo com hipocrisia. Que tipo de eleitor você é: eleitor vítima ou eleitor cúmplice? Só vamos mudar realmente esse cenário quando cada um de nós evoluirmos nossa prática humana com base nas virtudes, e não nos vícios, com vontade de transformar escolhendo o que é certo, e não sendo conivente com o que está errado. Conscientize-se, discuta, reflita e vote!