sábado, 28 de abril de 2012

Maus tratos infantis e violência no trabalho


            Este resumo apresenta uma síntese do tema “maus tratos infantis e violência laboral: agressividade nas relações duradouras”, e descreve as principais causas geradoras da agressão e suas conseqüências, a partir de pesquisas e considerações pautadas em especialistas que estudam este assunto. Ao longo do resumo, é possível perceber e compreender a caracterização em que se enquadram as vítimas de maus tratos, os fatores de vulnerabilidade implicados e as dificuldades de sua revelação, bem como o perfil dos agressores e porque estes passam a adotar um comportamento que evoluem para a agressividade em geral.
     

Maus tratos infantis e violência laboral: agressividade nas relações duradouras

Maus tratos infantis

            Historicamente, a violência contra as crianças constitui-se um problema histórico-cultural que remota desde os séculos passados e perdura nos tempos atuais. Se os atos de violência em que as vítimas são agredidas por estranhos são preocupantes, mais alarmante ainda são os casos que as agressões são praticadas por pessoas da família, invertendo o papel que essa célula máter deve exercer.

            Embora os adultos concordem que as crianças devem ser protegidas e recebam cuidados especiais, pesquisas indicam que, nos Estados Unidos, ocorrem 2,7 milhões de casos relacionados a maus tratos infantis (Children’s Defense Fund, 1992), que se configura em diferente formas: violência física, abusos sexuais, abandono físico, abandono emocional e violência psicológica.

            Para a psicologia social, as pessoas que cometem esses atos são consideradas monstros, indivíduos seriamente perturbados, que foram vítimas de abusos na infância e criam um ciclo no seu meio social. Porém, há agressores que não sofreram violência na infância, aparentam ser psicologicamente normais (Emery, 1989), mas exercer um tipo de personalidade abusadora.

            Segundo Peterson e Brown (1994), as raízes desse problema tem origem nos fatores socioculturais (pobreza, moradias superlotadas, mudanças freqüentes e isolamento), fatores baseados nos adultos (maus tratos quando eram crianças, problemas emocionais, abusos de certas substâncias, ser jovem e solteiro, necessidade de controle sobre as crianças e técnicas ineficientes de disciplina) e fatores baseados na criança (distração elevada, alto nível de atividades, impulsividade elevada  e resistência a disciplina e controle paterno). O que se percebe é que os maus tratos infantis surgem de uma ampla gama de fatores e isto explica porque alguns pais e tutores agem com violência contra seus filhos e não com amor e carinho.            Quantos aos modelos para reduzir a violência infantil, estes terão que considerar os três fatores apresentados por Peterson e Brown, de modo que as iniciativas sejam destinadas a combater ou intervir nos problemas em questão, diminuindo assim a incidência dos maus tratos infantis e suas conseqüências.

Familicídio: violência extrema dentro da família

            O homicídio familiar caracteriza-se pelo homicídio de membros da família, acompanhado ou não de suicídio, sempre relacionado a atos extremos. Nestes casos, os pais matam seus filhos ou o indivíduo mata o cônjuge e/ ou seus filhos. Estudos apontam que 93% a 96% dos casos de familicídios são cometidos por homens (Wilson, 1995)

            Os fatores que levam os indivíduos a cometer tamanha brutalidade refletem em dois pontos comuns: aquele que é cometido mediante o comportamento abusivo em relação à família, manifestada pela frustração face a rejeição ou infidelidade do cônjuge, e aquele que resulta de um comportamento depressivo diante dos fracassos pessoais ou profissionais e vêem na aniquilação da família uma “saída” de sua adversidade.


Violência laboral: agressão no trabalho

            A violência física e psicológica no trabalho está aumentando em todo o mundo e atinge níveis alarmantes. Somente nos Estados Unidos, uma média de 15 pessoas são assassinadas por semana, num total de mais de 7.600 desde o início dos anos 80 ao princípio dos anos 90 (National Institute for Ocupational Safety ad Health, 1993). Em 1992, as estatísticas informam que 1.004 foram assassinados no trabalho, que representa um terço superior da média durante a década de 80.

                Há dois eixos que apontam a violência no trabalho: 1) grande parte da violência no local de trabalho ocorre em conexão com crimes de roubo e afins, isso não implica os casos em que os trabalhadores com raiva, abrem fogo contra seus colegas ou supervisores; 2) pesquisas recentes indicam que a ameaça de dano físico ou agressão real são bastante raras: apenas 3% a 7% dos trabalhadores das empresas em uma ampla gama de respostas.

            As pesquisas sugerem que a maioria das agressões no trabalho são menos dramáticas, sem atos extremos, como o homicídio. Essas agressões geralmente são de natureza oculta, ou seja, a vítima não identifica a fonte da agressão e às vezes nem percebe que foi objeto de lesão intencional. Este tipo de agressão é preferido por duas razões: 1) no local de trabalho há possíveis testemunhas que condenam os atos de agressão; 2) O agressor preferem as formas dissimuladas de agressão porque reduzem o risco de retaliação.

            Arnold Buss (1961) sugere que as agressões encobertas tendem a ser mais verbal que física, mais passiva que ativa e mais indireta que direta. As formas verbais de agressão implicam no esforço de causar danos através de ofensas e calúnias. Isto explica porque as agressões dessa natureza são mais freqüentes, tendo em vista que as formas indiretas são feitas através das ações dos outros ou através de ataques a pessoas ou bens da vítima (família, amigos ou bens materiais).

            Em geral, a violência no trabalho pode revestir-se de diversas formas. Pode ir desde o ato primário da agressão pura e simples até as formas mais sutis e traiçoeiras, e nem por isso menos violentas, como a perseguição, a humilhação, a intriga, a calúnia e o assédio. A base para essa explicação é simples: muitas organizações tem experimentado uma rápida mudança e algumas dessas mudanças configuram a plataforma que leva ao aumento da agressividade. Entre as mudanças mais importantes estão a mudança de função (chefia, cargo, setor), redução do salário e as demissões.

            No entanto, a violência no trabalho não é uma forma de conduta inevitável ou inalterável. Por se tratar de uma interação entre acontecimentos externos, cognições e características pessoais, pode-se prevenir ou reduzir.
  
Análise Crítica

            Sabemos que a violência é um fator agravante para o desenvolvimento da personalidade humana. Qualquer ambiente com a presença de atos agressivos tem tendência a evoluir para um quadro mais agravante, em que pode chegar a ações extremas e irreparáveis. Conhecemos suas variantes e seu processo evolutivo, então convém salientar que faltam políticas de prevenção mais operantes.
            Apesar das iniciativas políticas já desenvolvidas, é necessário intensificar as ações de prevenção e a integração dos diversos segmentos sociais, que possibilite a discussão e a reflexão geradoras de ações de caráter preventivo e diagnóstico. Embora os autores citados no texto apresentado tenham exposto as diversas causas dos maus tratos infantis e da violência laboral, podemos perceber que não há uma solução que elimine as agressões em sua tipologia, tendo em vista que as desigualdades sociais e econômicas são fatores coadjuvantes das  causas de violência, mas isto não impede que boas políticas de combate à violência alcance bons resultados dentro da sociedade.


Conclusão

            A elaboração deste resumo sobre os maus tratos infantis e a violência laboral permite-nos concluir que o problema faz parte da história do desenvolvimento da humanidade.
            Não basta apenas conhecer os fatores que conduzem ao aparecimento de maus tratos infantis bem como a violência no trabalho, os seus diferentes tipos e suas principais manifestações, as medidas de prevenção tornam-se tarefas prioritárias para compreender os problemas e desenvolver estratégia de apoio e acompanhamento às vítimas em seus respectivos casos.     Desse modo, o diagnóstico precoce da violência e sua intervenção evita uma evolução mais grave dos fatos, reduzindo assim o risco de exposição da vítima.

Obs.: Fico devendo as referências bibliográficas.